O Sea-Doo Spark Trixx (lançado em 2017) não é um jet ski comum. Ele foi projetado para a diversão pura, manobras radicais e baixo custo. Equipado com o motor Rotax 900 ACE e um casco ultraleve, ele é o rei das manobras.
Mas essa engenharia focada na leveza e no custo cobrou seu preço na durabilidade e na manutenção. O Spark tem “pecados” de projeto que podem transformar a diversão em dor de cabeça se o dono não for cuidadoso.
Se você está negociando um Spark Trixx usado, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar.
1. O “Pesadelo” do Mecânico: Acesso ao Motor (Top Deck)
Este é o maior problema de manutenção do Spark. Diferente de jets maiores onde você levanta o banco e vê o motor, o Spark é “fechado”.
- O Problema: Para realizar qualquer manutenção que não seja trocar óleo ou velas (como trocar um coxim, acessar o tanque ou verificar vazamentos), é necessário remover a parte superior inteira do casco (Top Deck).
- O Custo: Isso transforma um reparo de peças de R$ 100 em uma mão de obra de R$ 1.000, pois desmontar o jet inteiro leva horas.
- O Risco: Ao remontar, se a vedação do casco não for feita perfeitamente com o selante correto, o jet vai entrar água para sempre.
2. Casco Polytec: Rachaduras e Parafusos Espanados
O material Polytec (polipropileno) é leve, mas não tem a rigidez da fibra de vidro.
- O Sintoma: Rachaduras na área de impacto (bico ou fundo) e, muito comum, roscas espanadas onde o Top Deck é parafusado no casco inferior.
- A Causa Real: O Spark Trixx é feito para pular e bater na água. O impacto constante fadiga o plástico. Além disso, o aperto excessivo dos parafusos na manutenção “come” o plástico do casco.
- A Solução: O reparo de Polytec é difícil e exige solda plástica especializada. Cascos muito danificados muitas vezes condenam o jet.
3. Eixo de Transmissão e Estrias (Splines)
Um ponto fraco mecânico conhecido dos motores 900 ACE no Spark.
- O Sintoma: O motor gira, faz um barulho de “moedor”, mas o jet não anda ou perde tração.
- A Causa Real: As estrias (dentes) que conectam o eixo de transmissão ao motor (PTO) se desgastam prematuramente se não forem lubrificadas com graxa específica periodicamente. Além disso, os coxins do motor cedem com os pulos, desalinhando o eixo e moendo as estrias.
- A Solução: Troca do eixo de transmissão e, às vezes, da acoplagem do motor. Manutenção preventiva (graxa) é vital.
4. Folga na Coluna de Direção Ajustável
O diferencial do Trixx é o guidão com altura ajustável (riser), mas ele sofre com o abuso.
- O Sintoma: Folga excessiva no guidão (ele balança para frente e para trás) ou dificuldade em travar a altura.
- A Causa Real: O mecanismo de trava e as buchas da coluna sofrem muito estresse durante as manobras de empinar, onde o piloto puxa o guidão com força.
- A Solução: Reaperto ou troca das buchas e travas da coluna.
5. Superaquecimento (Areia no Sistema)
Como o Spark é muito usado no “rasinho” para fazer graça na beira da praia, ele aspira muita areia.
- O Sintoma: Alarme de temperatura soando constantemente.
- A Causa Real: O Spark usa um sistema de refrigeração de circuito fechado (CLCS), mas a troca de calor é feita por uma placa no fundo do casco (Ride Plate). Se os canais dessa placa ou o permutador de calor entupirem com areia fina, o motor ferve.
- A Solução: Limpeza do sistema de arrefecimento (flush) e evitar ligar o jet em águas com menos de 60cm de profundidade.
Conclusão: Um Brinquedo que Exige Cuidado
O Sea-Doo Spark Trixx é imbatível na diversão, mas é frágil se comparado a um GTI 130.
Ele não foi feito para ser negligenciado. Ao comprar um usado, verifique se o casco não tem rachaduras e pergunte se o eixo de transmissão já foi revisado. Se o “Top Deck” já foi aberto, verifique se foi bem vedado, ou você terá um jet que vive cheio de água no porão.






