O Volkswagen Golf Geração 4 (ou Mk4, fabricado no Brasil de 1999 a 2013) é um carro que marcou época. Com um nível de acabamento muito superior ao dos concorrentes, interior soft touch e a lendária versão GTI 1.8T, ele é um “clássico moderno” no mercado de usados.
No entanto, por trás da fama de carro robusto, o Golf Mk4 esconde um histórico de problemas crônicos que podem ser extremamente caros de arrumar. A manutenção dele não é de Gol; é de Audi. Se você está de olho em um “Sapão”, esta é a lista do que você precisa verificar.
1. O “Pesadelo”: O Câmbio Automático 01M de 4 Marchas
Este é, de longe, o maior, mais caro e mais temido problema crônico do Golf Mk4. Afeta todas as versões 2.0 Automáticas.
- O Sintoma: Trancos violentos (especialmente ao engatar “D” ou “R”), “patinação” (o giro sobe, mas o carro não anda) e a luz de emergência do câmbio acendendo no painel (travando a transmissão em 3ª marcha).
- A Causa Real: É um defeito de projeto crônico da transmissão Tiptronic 01M. O corpo de válvulas e, principalmente, os solenoides (eletroválvulas) internos falham com frequência assustadora. O câmbio superaquece, o óleo se degrada e o sistema entra em colapso.
- A Solução: O reparo completo do câmbio é um dos mais caros do mercado, podendo facilmente ultrapassar os R$ 10.000 a R$ 15.000. A recomendação profissional é unânime: FUJA do Golf 2.0 automático 4 marchas. Procure sempre as versões manuais.
2. O Interior “Pegajoso” (Acabamento Descascando)
O que era o maior luxo do Golf Mk4 quando novo, virou seu maior problema estético quando usado.
- O Sintoma: O acabamento emborrachado (soft touch) do painel, dos puxadores de porta, do console central e dos botões começa a derreter, descascar e ficar “pegajoso” (grudento).
- A Causa Real: O material emborrachado não resistiu ao calor tropical brasileiro e à ação de produtos químicos (como protetor solar das mãos).
- A Solução: Não há reparo fácil. A única solução é a remoção completa do revestimento (com solventes e muita paciência) para deixar no plástico rígido, ou o envelopamento (adesivagem) das peças.
3. Falha nas Bobinas de Ignição (Motor 1.8T GTI)
Este é o defeito elétrico mais comum do lendário motor 1.8 Turbo que equipa o GTI.
- O Sintoma: O carro falha subitamente, perde a força (fica “xôxo”), começa a “pipocar” e a luz da injeção acende no painel. O carro passa a funcionar com apenas 3 cilindros.
- A Causa Real: As bobinas de ignição individuais (uma por cilindro) são famosas por queimar ou trincar, especialmente se as velas de ignição não estiverem em dia.
- A Solução: A troca da bobina defeituosa. É um reparo simples, mas cada bobina (de marca premium, como Bosch ou NGK) tem um custo elevado.
4. Vazamentos no Sistema de Arrefecimento (Todos os Motores)
Um problema crônico que o Golf Mk4 compartilha com o Audi A3 da mesma época.
- O Sintoma: Nível do líquido de arrefecimento (aditivo) baixando constantemente, cheiro de aditivo na garagem e, em casos graves, superaquecimento.
- A Causa Real: Os flanges (cavaletes d’água) que conectam as mangueiras ao motor são feitos de plástico e ficam em locais de calor intenso. Com o tempo, o plástico resseca, trinca e vaza.
- A Solução: Troca preventiva desses flanges. Muitos proprietários substituem as peças de plástico por equivalentes de alumínio (encontradas no mercado de reposição), resolvendo o problema definitivamente.
5. Máquina de Vidro Elétrico (O “Estalo”)
Outro defeito clássico da plataforma PQ34 (Golf, A3, Bora).
- O Sintoma: Você aperta o botão para subir o vidro, ouve um “estalo” alto vindo de dentro da porta, e o vidro despenca. O motorzinho elétrico funciona, mas o vidro não sobe.
- A Causa Real: O mecanismo da máquina de vidro utiliza cabos de aço e roldanas de plástico. Essas roldanas ressecam, quebram, e o cabo “embola”.
- A Solução: A troca do “kit de reparo” da máquina de vidro, que já vem com peças de metal reforçadas e é um serviço relativamente barato.
Um Carro Premium com Manutenção Premium
O Golf Mk4 é um carro espetacular, com uma qualidade de construção que raramente se viu em um hatch médio nacional.
No entanto, ao comprar um usado, o preço de aquisição é apenas o começo. O custo de manutenção é o de um Audi. A regra de ouro é clara: evite o 2.0 automático a todo custo e procure uma versão 1.6 (EA111) ou 1.8T (manual) com histórico de manutenção impecável, especialmente da correia dentada e do sistema de arrefecimento.






