Problemas Crônicos do Renault Sandero (2007-2014): Os 5 Defeitos Que Você Deve Conhecer

O Renault Sandero (em sua geração fabricada até 2014) é um fenômeno no mercado de usados. Construído sobre a lendária e robusta plataforma B0 (a mesma do Logan e do Duster), ele é famoso por sua suspensão “tanque de guerra” e um espaço interno muito superior ao dos concorrentes da época.

No entanto, por trás da fama de robusto, o Sandero dessa geração esconde um histórico de problemas crônicos caros, especialmente em uma versão específica de transmissão e em alguns componentes de seus motores.

Se você tem ou está de olho em um Sandero usado dessa época, esta é a lista definitiva do que você precisa inspecionar para não transformar o sonho do “bom e barato” em um pesadelo financeiro.

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1. O Pesadelo: Fuga do Câmbio Automático (AL4 / DP0)

Este é, de longe, o maior, mais caro e mais famoso problema crônico do Sandero. Se você está olhando um usado, a recomendação é simples: FUJA DAS VERSÕES AUTOMÁTICAS.

  • O Sintoma: Trancos violentos nas trocas de marcha (especialmente de 1ª para 2ª), patinação, e a temida luz “Modo de Emergência” (um ícone de “Neve” e “Sport” piscando no painel), que trava o câmbio em 3ª marcha.
  • A Causa Real: É um defeito de projeto crônico da transmissão AL4 (também chamada de DP0). As eletroválvulas de pressão (solenoides) falham com frequência assustadora. O câmbio também superaquece facilmente, degradando o fluido e entupindo o corpo de válvulas.
  • A Solução: O reparo do corpo de válvulas e a troca das solenoides é um serviço caro, que pode facilmente ultrapassar os R$ 6.000 a R$ 8.000.

2. O Risco da Correia Dentada (TODOS os Motores)

Diferente de carros mais novos (como o Kwid), todos os motores do Sandero dessa geração usam correia dentada, e todos são “com interferência”.

  • O Risco: Se a correia dentada arrebentar nos motores 1.0 16V (D4D), 1.6 8V (K7M) ou 1.6 16V (K4M), o motor atropela válvulas. O prejuízo é catastrófico, exigindo retífica de cabeçote.
  • O Problema Crônico: A troca da correia, especialmente no motor 1.6 16V (K4M), é um serviço complexo e caro, que exige ferramentas de fasagem (sincronismo) específicas da Renault. Muitos mecânicos não especializados fazem o serviço “no olho”, deixando o carro fora de ponto e com falhas.
  • A Solução: Ao comprar um Sandero usado, faça a troca preventiva do kit completo (correia, tensores e bomba d’água) imediatamente, a menos que o antigo dono tenha a nota fiscal de um serviço feito em oficina especializada.

3. Vazamentos de Óleo (Motor 1.6 8V K7M)

Este é um defeito crônico do robusto, porém antigo, motor K7M.

  • O Sintoma: Motor “melado” de óleo e cheiro de óleo queimado vindo do capô.
  • A Causa Real: A junta da tampa de válvulas é a principal culpada. Ela resseca e vaza óleo quente diretamente sobre o coletor de escapamento, que fica na frente do motor (um risco de incêndio). O retentor do volante (entre o motor e o câmbio) também é um ponto clássico de vazamento.
  • A Solução: A troca da junta da tampa é simples. A troca do retentor do volante é cara, pois exige a remoção de toda a caixa de câmbio.

4. Falha nas Bobinas (Motor 1.0 16V D4D)

Este é o problema elétrico mais comum do motor 1.0 16V (o mesmo do Clio).

  • O Sintoma: O carro falha subitamente, perde a força (fica “xôxo”), começa a “pipocar” e a luz da injeção acende. O carro passa a funcionar com 3 cilindros.
  • A Causa Real: O motor D4D usa quatro bobinas individuais do tipo “caneta” (uma por cilindro). Elas são notórias por queimar prematuramente, muitas vezes por contaminação de água ou óleo.
  • A Solução: A troca da bobina defeituosa (que é cara) e, obrigatoriamente, das quatro velas.

5. Ruídos Internos (O “Show de Plástico”)

Uma queixa universal do Sandero dessa geração é o acabamento interno.

  • O Sintoma: O carro todo vibra e faz barulho de plástico rangendo em pisos irregulares (“nhec-nhec”, “tec-tec”).
  • A Causa Real: Projeto focado 100% no baixo custo e no espaço. O interior é um mar de plástico rígido de qualidade apenas mediana, com encaixes que geram atrito e folga com o tempo.
  • A Solução: Aumentar o volume do rádio ou investir em um serviço de “caça-grilos” (aplicação de feltros e espumas).

Conclusão: Um “Tanque” que Exige a Escolha Certa

O Renault Sandero (2011-2014) é, de fato, um “tanque de guerra” em termos de suspensão e estrutura.

No entanto, é um carro que exige a escolha certa na hora da compra. A regra de ouro é simples: compre um modelo MANUAL (seja 1.0 ou 1.6) e, assim que comprar, invista na troca completa do kit de correia dentada. Feito isso, você terá um dos carros mais robustos e espaçosos do mercado de usados.

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