O Kadett compartilha o motor com o Monza, mas tem uma personalidade própria. A suspensão é mais rígida e o acabamento interno usa plásticos que sofrem muito com o sol brasileiro.
Se você está de olho em um “Kadetão”, verifique estes 5 pontos críticos.
1. Módulo HEI e Bobina Impulsora (O “Apagão” da GM)
Assim como no Monza, este é o defeito número 1 dos modelos com injeção EFI (1 bico) ou carburados com ignição eletrônica.
- O Sintoma: O carro morre do nada no trânsito e não pega. O conta-giros cai para zero instantaneamente. Após esfriar, ele volta a funcionar.
- A Causa Real: O Módulo HEI fica dentro do distribuidor, “colado” no motor quente. O superaquecimento queima o componente ou resseca a pasta térmica.
- A Solução: Troca do Módulo HEI e da Bobina Impulsora.
- Dica: Use apenas peças Delphi ou originais. Marcas baratas queimam em dias. Muitos donos instalam o módulo do lado de fora do distribuidor com um dissipador de calor (alumínio) para resolver definitivamente.
2. Rachaduras no Painel (Tabelier) (O Sol é Inimigo)
O plástico do painel do Kadett é mais rígido que o do Monza e racha com facilidade.
- O Sintoma: Trincas grandes aparecem no topo do painel, perto das saídas de ar do para-brisa, ou na região central acima do porta-luvas. O painel começa a fazer barulho de “escola de samba”.
- A Causa Real: A qualidade do polímero não aguentou o UV brasileiro e a vibração da suspensão mais dura do hatch.
- A Solução: Não tem conserto fácil. Ou você manda revestir de couro/courvin (tapeçaria) ou troca o painel inteiro (difícil de achar um intacto hoje em dia).
3. Botões do Vidro Elétrico (O Mal Contato)
Os comandos dos vidros (que ficam no console central ou na porta, dependendo do ano) são frágeis.
- O Sintoma: O vidro desce mas não sobe, ou só funciona se você apertar o botão com muita força num ângulo específico. O botão “afunda” no console.
- A Causa Real: As trilhas de cobre internas oxidam e as molas plásticas quebram.
- A Solução: Limpeza dos contatos com limpa-contatos (paliativo) ou troca do conjunto de botões. Felizmente, peças de reposição paralelas são baratas.
4. Infiltração nas Lanternas Traseiras (O Porta-Malas Aquário)
O design das lanternas do Kadett favorece a entrada de água.
- O Sintoma: Cheiro de mofo no porta-malas, carpete molhado ou corrosão no assoalho traseiro (caixa de estepe). As placas de circuito das lanternas oxidam e as luzes falham (“árvore de natal”).
- A Causa Real: A borracha de vedação das lanternas resseca e encolhe. A água da chuva escorre pela calha e entra direto atrás da lanterna.
- A Solução: Vedação com silicone ou troca das borrachas (guarnições) das lanternas. Verifique sempre o fundo do porta-malas antes de comprar.
5. Marcha Lenta Oscilando (Sensor VSS) (O Carro Acelerado)
Muito comum nos modelos EFI (1992-1996).
- O Sintoma: Ao parar no semáforo, a rotação sobe para 1.500 rpm ou o carro morre nas reduzidas de 3ª para 2ª marcha. A luz de injeção acende brevemente.
- A Causa Real: Falha no Sensor de Velocidade (VSS) que fica no câmbio. A injeção eletrônica “se perde” sem saber se o carro está andando ou parado.
- A Solução: Troca do sensor VSS.
Bônus: O Kadett GSI (Cuidados Especiais)
Se o seu sonho é o esportivo GSI 2.0 MPFI: * Painel Digital: É lindo, mas se queimar, o reparo é feito apenas por especialistas e custa caro. * Sensor de Fluxo de Ar: A injeção analógica LE-Jetronic usa uma peça chamada “medidor de fluxo de ar”. Se ela estragar, o carro falha muito e a peça nova é quase impossível de achar (mosca branca). * Parachoques: Os para-choques exclusivos do GSI são caríssimos. Se estiverem quebrados, negocie um grande desconto.
Conclusão: Qual Comprar?
- A Compra Racional: Kadett GL ou GLS 1.8/2.0 EFI (1994-1995). Mecânica robusta, manutenção barata e visual ainda moderno para a época.
- A Compra Emocional: Kadett GSI Conversível. Um clássico que valoriza a cada dia, mas exige bolso para manter a capota e a injeção antiga em dia.






