Problemas Crônicos do Chevrolet Monza (1982-1996): Os 5 Defeitos do “Rei das Ruas”

Se você quer comprar um Monza (“Caixote” até 90 ou “Tubarão” 91-96), saiba que está levando um dos carros mais confortáveis já feitos no Brasil. Mas não se iluda: ele não é indestrutível.

Abaixo, os 5 pontos que você precisa verificar para não comprar um pesadelo sobre rodas.


1. Trinca na Parede Corta-Fogo (Caixa de Direção) (O Defeito Estrutural)

Embora menos famoso que o defeito do Gol, o Monza também sofre com trincas na estrutura.

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  • O Sintoma: Estalos ao girar o volante parado ou uma sensação de “direção solta”.
  • A Causa Real: A chapa onde a caixa de direção é fixada (na parede corta-fogo, atrás do motor) fadiga com o tempo, especialmente em modelos com direção hidráulica e pneus largos.
  • A Solução: Solda MIG com reforço de chapa.
  • Dica de Compra: Peça para alguém girar o volante enquanto você olha a fixação da caixa de direção dentro do cofre do motor. Se a lataria se mexer ou estalar, tem trinca.

2. Injeção Eletrônica EFI (Multec 700) (A Oscilação Eterna)

A partir de 1991, o Monza adotou a injeção de bico único (Single Point).

  • O Sintoma: Marcha lenta oscilando (o carro acelera sozinho), “buracos” na aceleração ou o carro morre em reduções.
  • A Causa Real:
  • 1. Sensor de Velocidade (VSS): Fica no câmbio. Se ele falhar, a injeção perde a referência e o carro apaga em lombadas.
  • 2. Junta do TBI: A base do corpo de injeção empena ou a junta resseca, permitindo entrada falsa de ar.
  • A Solução: Troca do sensor VSS ou plaina na base do TBI com troca de juntas.

3. Vazamentos de Óleo (A Marca da Família II) (O Chão da Garagem Manchado)

O motor Chevrolet Família II (1.8 e 2.0) marca território.

  • O Sintoma: Cheiro de óleo queimado e vazamentos visíveis na parte de cima do motor e na lateral.
  • A Causa Real:
  • 1. Junta da Tampa de Válvulas: Originalmente de cortiça, resseca muito rápido.
  • 2. Anel do Distribuidor: O O-ring de borracha do distribuidor vaza e o óleo escorre quente sobre o bloco.
  • A Solução: Usar junta da tampa de válvulas de borracha com limitadores (moderna, do Astra/Vectra) e trocar o O-ring do distribuidor.

4. Distribuidor e Módulo HEI (O Carro que Apaga do Nada)

O pesadelo dos donos de Monza EFI.

  • O Sintoma: O carro está andando perfeitamente e, de repente, apaga. Não pega mais. Depois de esfriar 20 minutos, ele pega como se nada tivesse acontecido.
  • A Causa Real: O Módulo HEI (ignição) fica dentro do distribuidor e esquenta muito. Quando superaquece, ele corta a faísca. O Sensor Hall (rotação) também falha com o calor.
  • A Solução: Troca do Módulo HEI.
  • Dica: Use apenas peças de marca premium (Delphi ou original GM se achar). Marcas chinesas queimam em uma semana. Verifique se a pasta térmica dissipadora foi aplicada corretamente.

5. Desgaste do Comando de Válvulas (O “Tec-Tec” no Cabeçote)

Um problema de lubrificação crônico nos modelos mais rodados.

  • O Sintoma: Barulho forte de batida metálica na parte superior do motor e perda de desempenho em alta rotação.
  • A Causa Real: Entupimento da “flauta” de lubrificação interna ou uso de óleo vencido. Isso desgasta os cames do comando de válvulas precocemente.
  • A Solução: Troca do comando de válvulas, balancins e tuchos (“Kit Comando”).

Bônus: Acabamento das Portas (“Tubarão”)

No modelo “Tubarão” (91-96), o revestimento de vinil/tecido das portas costuma descolar e encolher com o sol, deixando a espuma amarela à mostra perto do vidro. * Solução: Apenas um tapeceiro consegue refazer, e é difícil achar o tecido original na mesma padronagem.


Conclusão: O Clássico que Merece Respeito

O Chevrolet Monza é um tanque de guerra confortável.

  • A Compra Racional: Monza GL ou GLS 2.0 EFI (1994-1996). Já tem freio a disco nas 4 rodas (na maioria), mecânica madura e peças fáceis.
  • O Sonho: Monza Classic SE 2.0 MPFI (4 bicos). Raro, anda muito, mas o sensor de fluxo de ar dessa injeção antiga é uma peça “mosca branca” (difícil de achar e caríssima).
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