Se você quer comprar um Monza (“Caixote” até 90 ou “Tubarão” 91-96), saiba que está levando um dos carros mais confortáveis já feitos no Brasil. Mas não se iluda: ele não é indestrutível.
Abaixo, os 5 pontos que você precisa verificar para não comprar um pesadelo sobre rodas.
1. Trinca na Parede Corta-Fogo (Caixa de Direção) (O Defeito Estrutural)
Embora menos famoso que o defeito do Gol, o Monza também sofre com trincas na estrutura.
- O Sintoma: Estalos ao girar o volante parado ou uma sensação de “direção solta”.
- A Causa Real: A chapa onde a caixa de direção é fixada (na parede corta-fogo, atrás do motor) fadiga com o tempo, especialmente em modelos com direção hidráulica e pneus largos.
- A Solução: Solda MIG com reforço de chapa.
- Dica de Compra: Peça para alguém girar o volante enquanto você olha a fixação da caixa de direção dentro do cofre do motor. Se a lataria se mexer ou estalar, tem trinca.
2. Injeção Eletrônica EFI (Multec 700) (A Oscilação Eterna)
A partir de 1991, o Monza adotou a injeção de bico único (Single Point).
- O Sintoma: Marcha lenta oscilando (o carro acelera sozinho), “buracos” na aceleração ou o carro morre em reduções.
- A Causa Real:
- 1. Sensor de Velocidade (VSS): Fica no câmbio. Se ele falhar, a injeção perde a referência e o carro apaga em lombadas.
- 2. Junta do TBI: A base do corpo de injeção empena ou a junta resseca, permitindo entrada falsa de ar.
- A Solução: Troca do sensor VSS ou plaina na base do TBI com troca de juntas.
3. Vazamentos de Óleo (A Marca da Família II) (O Chão da Garagem Manchado)
O motor Chevrolet Família II (1.8 e 2.0) marca território.
- O Sintoma: Cheiro de óleo queimado e vazamentos visíveis na parte de cima do motor e na lateral.
- A Causa Real:
- 1. Junta da Tampa de Válvulas: Originalmente de cortiça, resseca muito rápido.
- 2. Anel do Distribuidor: O O-ring de borracha do distribuidor vaza e o óleo escorre quente sobre o bloco.
- A Solução: Usar junta da tampa de válvulas de borracha com limitadores (moderna, do Astra/Vectra) e trocar o O-ring do distribuidor.
4. Distribuidor e Módulo HEI (O Carro que Apaga do Nada)
O pesadelo dos donos de Monza EFI.
- O Sintoma: O carro está andando perfeitamente e, de repente, apaga. Não pega mais. Depois de esfriar 20 minutos, ele pega como se nada tivesse acontecido.
- A Causa Real: O Módulo HEI (ignição) fica dentro do distribuidor e esquenta muito. Quando superaquece, ele corta a faísca. O Sensor Hall (rotação) também falha com o calor.
- A Solução: Troca do Módulo HEI.
- Dica: Use apenas peças de marca premium (Delphi ou original GM se achar). Marcas chinesas queimam em uma semana. Verifique se a pasta térmica dissipadora foi aplicada corretamente.
5. Desgaste do Comando de Válvulas (O “Tec-Tec” no Cabeçote)
Um problema de lubrificação crônico nos modelos mais rodados.
- O Sintoma: Barulho forte de batida metálica na parte superior do motor e perda de desempenho em alta rotação.
- A Causa Real: Entupimento da “flauta” de lubrificação interna ou uso de óleo vencido. Isso desgasta os cames do comando de válvulas precocemente.
- A Solução: Troca do comando de válvulas, balancins e tuchos (“Kit Comando”).
Bônus: Acabamento das Portas (“Tubarão”)
No modelo “Tubarão” (91-96), o revestimento de vinil/tecido das portas costuma descolar e encolher com o sol, deixando a espuma amarela à mostra perto do vidro. * Solução: Apenas um tapeceiro consegue refazer, e é difícil achar o tecido original na mesma padronagem.
Conclusão: O Clássico que Merece Respeito
O Chevrolet Monza é um tanque de guerra confortável.
- A Compra Racional: Monza GL ou GLS 2.0 EFI (1994-1996). Já tem freio a disco nas 4 rodas (na maioria), mecânica madura e peças fáceis.
- O Sonho: Monza Classic SE 2.0 MPFI (4 bicos). Raro, anda muito, mas o sensor de fluxo de ar dessa injeção antiga é uma peça “mosca branca” (difícil de achar e caríssima).






