O Celer é dividido em duas fases claras: 1. Importado (2013-2014): Frente mais “quadrada” e acabamento mais simples. 2. Nacional (2015-2018): Frente moderna (faróis com projetor), painel redesenhado e motor recalibrado.
Embora o Nacional seja melhor, os dois compartilham vícios mecânicos que você precisa conhecer.
1. Trambulador do Câmbio (A “Colher de Pau”)
É a reclamação número 1 dos donos. O câmbio manual de 5 marchas tem engates imprecisos.
- O Sintoma: Dificuldade extrema para engatar a 1ª marcha ou a Ré. A alavanca fica “boba”, sem precisão, parecendo estar solta.
- A Causa Real: As buchas do trambulador (o mecanismo que conecta a alavanca à caixa de câmbio) são feitas de um plástico de baixa qualidade que esfarela com o calor e o uso.
- A Solução: Troca do kit de reparo do trambulador. Existem kits paralelos de melhor qualidade no mercado que resolvem a folga.
2. Coxins do Motor e Câmbio (O Tremedeira)
A borracha utilizada pela Chery nessa época era muito rígida e ressecava rápido.
- O Sintoma: Vibração excessiva no volante em marcha lenta, barulhos de batida seca ao arrancar ou passar em lombadas (parece suspensão, mas é o motor solto).
- A Causa Real: O coxim frontal e o coxim do câmbio rompem a borracha precocemente. O coxim frontal fica muito próximo do escape, recebendo calor excessivo sem proteção adequada.
- A Solução: Substituição dos coxins.
- Dica: Verifique se o suporte de metal não trincou junto com a borracha.
3. Sistema de Arrefecimento (O Risco de Ferver)
O motor Acteco 1.5 é robusto, mas seus periféricos plásticos não são.
- O Sintoma: Vazamento de líquido de arrefecimento (água rosa) no chão da garagem ou o nível do reservatório baixando constantemente.
- A Causa Real:
- 1. Cavalete da Válvula Termostática: A peça plástica trinca e empena.
- 2. Mangueiras: As braçadeiras originais perdem pressão e as mangueiras ressecam.
- A Solução: Troca do cavalete completo (preferencialmente por versões de alumínio, se encontrar adaptável, ou original nova) e revisão das braçadeiras.
4. Suspensão Dianteira Frágil (Batida Seca)
A suspensão do Celer, mesmo no modelo nacional que foi tropicalizado, sofre.
- O Sintoma: Barulhos de “toc-toc” em qualquer irregularidade do asfalto.
- A Causa Real: As bieletas e as buchas da barra estabilizadora duram muito pouco (às vezes menos de 20.000 km). Os amortecedores originais também têm curso curto e dão fim de curso (“pancada”) com facilidade.
- A Solução: Troca das bieletas e buchas. Muitos mecânicos adaptam peças de carros nacionais (como GM ou VW) que têm durabilidade superior.
5. Falhas no Corpo de Borboleta (TBI) (A Luz de Injeção)
- O Sintoma: O carro perde força, a marcha lenta oscila muito ou o motor apaga em reduções. A luz da injeção acende (código de falha relacionado ao TPS ou corpo de borboleta).
- A Causa Real: Acúmulo de sujeira (carbonização) ou falha eletrônica no sensor de posição da borboleta, que é integrado em alguns modelos.
- A Solução: Limpeza técnica do TBI. Se não resolver, a troca da peça é necessária (e costuma ser cara se for original).
Bônus: Importado vs Nacional – Qual Comprar?
- Chery Celer Importado (2013-2014): Fuja se possível. A suspensão é ainda mais frágil, o painel é feio e a revenda é terrível.
- Chery Celer Nacional (2015-2018): É a Compra Racional. O visual é muito mais bonito (parece outro carro), o painel é moderno e a suspensão foi levemente reforçada. Além disso, peças de lataria são mais fáceis de achar em desmanches devido à produção local.
Conclusão: Vale a Pena?
O Chery Celer é um carro para quem tem orçamento apertado e precisa de um semi-novo mais completo que um popular “pelado”.
- O Segredo: Compre apenas se tiver histórico de manutenção. Um Celer negligenciado vira uma “bomba” de peças plásticas quebradas.
- A Peça: Antes de fechar negócio, teste todas as marchas e a ré. Se estiver arranhando, o conserto do câmbio pode custar 30% do valor do carro.






