O GWM Haval H9 (2026) chegou ao mercado brasileiro no fim de 2025 fazendo muito barulho. Custando na faixa de R$ 329.000, o SUV gigante chinês apostou no clássico motor 2.4 Turbodiesel e na tração 4×4 raiz (montada sobre chassi de longarina) para tentar destronar a intocável Toyota SW4 e a Chevrolet Trailblazer.
Com uma lista de equipamentos invejável, que inclui bancos com massagem, isolamento acústico de primeira e o exclusivo modo “Tank Turn” (giro de tanque que diminui o raio de curva na terra), ele parece o pacote perfeito. Mas a convivência diária com o modelo já começou a revelar alguns deslizes de projeto e adaptação para o asfalto (e para os hábitos) do Brasil. Se você está com o talão de cheques na mão, conheça as dores de cabeça que os primeiros donos estão enfrentando.
1. A Porta do Porta-Malas (O Erro da Mão Inglesa)
O Haval H9 tem um design quadradão e robusto, com um ressalto na tampa traseira. Por conta do tamanho e do peso do conjunto, a porta do porta-malas não abre para cima como nos SUVs convencionais, mas sim para o lado. O problema está justamente para qual lado ela abre.
- O Erro de Tropicalização: A dobradiça da porta fica do lado direito. Isso significa que a porta abre da esquerda para a direita. Na China (ou em países de mão inglesa), isso faz sentido. No Brasil, onde estacionamos o carro na margem direita da rua, a porta aberta bloqueia totalmente o seu acesso à calçada.
- O Transtorno Prático: Se você parar na rua para descarregar compras ou malas, terá que dar a volta na porta de chapa e ficar no meio da rua, exposto ao trânsito de carros e motos, para conseguir acessar o bagageiro.
2. A Ilusão dos 7 Lugares (Apenas 88 Litros de Mala)
O Haval H9 é vendido como um veículo familiar definitivo para grandes viagens, mas a matemática do espaço interno simplesmente não fecha se a família for grande.
- Mala Inexistente: Quando a terceira fileira de bancos está armada para acomodar 7 ocupantes, o porta-malas é reduzido a ridículos 88 litros. É um espaço tão ínfimo que não cabe nem as mochilas escolares das crianças, quem dirá malas de viagem.
- Acabamento Frágil no Fundo: Além da falta de espaço nessa configuração, os plásticos que revestem as laterais do porta-malas são duros e riscam com uma facilidade assustadora ao raspar qualquer bagagem, destoando completamente do couro macio e do luxo empregado no resto da cabine.
3. Câmbio “Preguiçoso” e Aceleração Muito Lenta
O motor 2.4 Turbodiesel entrega 184 cv e bons 48,9 kgfm de torque, acoplado a um câmbio automático de 9 marchas fabricado pela própria GWM.
- Foco Extremo no Conforto: A calibração da transmissão foi feita sob medida para evitar qualquer tipo de solavanco aos passageiros. O resultado é que o Haval H9 se tornou um carro extremamente manso e lento nas reações.
- O Susto nas Ultrapassagens: Diferente da resposta mais bruta da Toyota SW4, quando você afunda o pé no acelerador do H9, o câmbio “pensa” por quase dois segundos antes de reduzir a marcha e liberar a potência. Para um veículo que pesa quase 2.500 kg, essa lentidão eletrônica exige que o motorista planeje muito bem as ultrapassagens em estradas de pista simples.
4. O Paradoxo: Um Tanque Off-Road com “Sapatos” de Shopping
A GWM equipou o Haval H9 com um arsenal off-road seríssimo: tração 4×4 com reduzida, bloqueios de diferencial dianteiro e traseiro (raridade no segmento), e capacidade de submersão de 800 mm.
- O Defeito Crônico de Fábrica: Todo esse maquinário pesado se torna inútil na lama porque o carro sai de fábrica calçado com pneus 100% urbanos (HT).
- A Conta no Pós-Compra: Se você comprou o H9 para o trabalho no agronegócio ou para fazer trilhas no fim de semana, o primeiro gasto obrigatório será descartar os pneus originais macios e investir entre R$ 6.000 e R$ 8.000 em um jogo de pneus All-Terrain (AT) ou Mud-Terrain (MT) que consigam dar tração ao gigante na terra.
5. Portas Difíceis de Fechar (A Dupla Vedação)
Um dos maiores elogios da imprensa automotiva ao H9 é o seu espetacular isolamento acústico. O carro usa vidros duplos e borrachas de vedação incrivelmente grossas para isolar o ruído do motor a diesel e do vento.
- O Efeito Colateral: As borrachas são tão espessas e a cabine é tão hermeticamente fechada que a pressão interna do ar dificulta o fechamento das portas. É uma reclamação constante: as portas quase nunca fecham no primeiro “empurrão”. É necessário usar uma força desproporcional (bater com vontade) para travá-las, o que irrita no dia a dia e faz com que passageiros frequentemente deixem a porta semiaberta ao sair.
Conclusão: Luxo com Concessões Estruturais
- Veredito: O GWM Haval H9 (2026) entrega um nível de tecnologia, conforto e equipamentos de segurança muito superior aos rivais japoneses e americanos cobrando o mesmo preço ou menos. O isolamento acústico dele é referência na categoria.
- A Regra de Ouro: Não compre o carro com a expectativa de ter uma tocada ágil e esportiva. Ele é um navio projetado para cruzeiros rodoviários calmos e confortáveis. E, acima de tudo, se a sua garagem for apertada na lateral, meça muito bem o espaço para garantir que você conseguirá abrir a pesada porta traseira no dia a dia.






