O nome Ford Territory representa duas eras distintas (e opostas) da Ford no Brasil. De um lado, a primeira geração (2020-2023), um SUV chinês (JMC Yusheng S330) rebatizado às pressas para cobrir um buraco no portfólio. Do outro, a Nova Territory (2024 em diante), um projeto Ford (Equator Sport) muito mais moderno e competitivo.
Por serem carros completamente diferentes, seus problemas crônicos não têm nenhuma relação entre si. Se você está de olho em um Territory usado, saber diferenciar as duas gerações é a diferença entre comprar um bom carro ou uma das maiores “bombas” do mercado.
Geração 1: O “Mico” (2020-2023)
Este modelo é um dos carros com pior reputação de pós-venda da história recente. Seus problemas são graves, caros e, o pior, difíceis de resolver.
1. O “Pesadelo”: A Falta Crônica de Peças
Este é o maior problema do carro.
- O Sintoma: Você sofre uma pequena colisão e o carro fica parado por 6, 8 ou 10 meses na oficina.
- A Causa Real: O carro não é um Ford, é um JMC (Jiangling Motor Corporation). A Ford Brasil não tem (e nunca teve) um estoque de peças de lataria ou acabamento para ele. Um para-choque, um farol ou um para-brisa precisam ser importados da China, um processo lento e absurdamente caro.
- O Risco: Uma batida leve pode causar a Perda Total (PT) do carro por falta de peças. As seguradoras sabem disso, e o valor do seguro deste carro (quando aceito) é proibitivo.
2. O Risco de Incêndio (Recall do Motor de Arranque)
Um problema crônico de segurança grave.
- O Sintoma: Risco de incêndio no compartimento do motor, mesmo com o carro desligado.
- A Causa Real: Um defeito de projeto no motor de arranque (motor de partida) e seu chicote, que poderiam entrar em curto-circuito.
- A Solução: A Ford convocou um recall em 2023 para inspecionar e, se necessário, trocar o motor de arranque e o chicote. É obrigatório verificar se o carro que você está comprando fez este recall.
3. Câmbio CVT (Trancos e Ruídos)
O câmbio CVT que equipa o motor 1.5 Turbo da G1 também é fonte de queixas.
- O Sintoma: Trancos em baixa velocidade, ruído excessivo (zumbido de “caixa de abelha”) e patinação em subidas.
- A Causa Real: Calibração problemática e desgaste prematuro do conjunto.
- A Solução: Reparo caro, que pode ultrapassar os R$ 10.000.
Geração 2: O “Novo Territory” (2024-2026)
Lançada em 2023 (como linha 2024), esta picape é um projeto muito superior (o Ford Equator Sport) e não tem nenhum dos problemas mecânicos graves da G1. Suas queixas são “dores do crescimento”, focadas em eletrônica e acabamento.
1. Bugs e Lentidão nas Telas (Software)
- O Sintoma: A central multimídia (de 12,3 polegadas) é lenta para iniciar, o Apple CarPlay/Android Auto (sem fio) trava ou desconecta sozinho, ou a tela “apaga” e reinicia.
- A Causa Real: Software (SOW) “imaturo”. A interface é bonita, mas o processamento é lento e apresenta bugs de comunicação.
- A Solução: Atualizações de software na concessionária. A Ford tem liberado correções para melhorar a estabilidade.
2. Ruídos Internos
- O Sintoma: Ruídos constantes de plástico vibrando (“grilos”), especialmente no painel central e nos forros de porta.
- A Causa Real: Embora o design seja premium, o carro ainda usa muito plástico rígido (duro) em sua construção. Em um carro de mais de R$ 200 mil, e rodando no asfalto brasileiro, as peças atritam e rangem.
- A Solução: “Caça-grilos” (aplicação de feltros) na concessionária, em garantia.
3. Pós-Venda (Ainda é um Importado Chinês)
- O Sintoma: Embora muito melhor que o G1, o G2 ainda é um carro importado da China.
- O Risco: Peças de colisão (lataria e faróis) não são encontradas “na prateleira” e podem demorar semanas para chegar, deixando o carro parado. O seguro ainda é caro por conta desse risco logístico.
Conclusão: Duas Eras, Duas Realidades
O nome “Ford Territory” representa duas realidades opostas:
- Geração 1 (2020-2023): É um dos carros de maior risco no mercado de usados. Uma “bomba” clássica, com recall grave, câmbio problemático e um pós-venda inexistente. FUJA DELE.
- Geração 2 (2024-2026): É um SUV competitivo, bonito e confiável mecanicamente. Seus problemas são “dores do crescimento” em software e acabamento, comuns em lançamentos recentes.






