O Logus é lembrado com carinho pelo conforto e pelo desempenho do motor AP 2.0 na versão Wolfsburg. Porém, ele herdou a plataforma do Ford Escort, que não foi projetada para suportar a calibração de suspensão mais firme que a Volkswagen exigia.
O resultado foi um carro que literalmente “torcia” demais. Se você pensa em ter um Logus como clássico ou daily, verifique estes 5 pontos com lupa.
1. Rachaduras no Túnel e Parede Corta-Fogo (O Defeito Estrutural Grave)
Este é o maior pesadelo da linha Autolatina (Logus, Pointer, Apollo, Verona).
- O Sintoma: Estalos metálicos ao passar em lombadas ou fazer curvas fechadas, dificuldade para fechar as portas quando o carro está desnivelado (ex: uma roda na calçada) e infiltração de água nos pés do motorista.
- A Causa Real: A estrutura do chassi não aguentava a torção, especialmente nas versões com motor AP mais pesado. O túnel central (perto dos pedais) e a parede corta-fogo trincam.
- A Solução: Solda MIG e reforço estrutural com chapas de aço em funilaria especializada. Se a trinca for grande, o carro perde alinhamento e segurança.
2. Suspensão Dianteira Frágil (Buchas) (Herança do Escort)
A suspensão é macia demais para o gosto VW e frágil demais para o Brasil.
- O Sintoma: Batidas secas na frente, desgaste prematuro de pneus e direção “boba” em alta velocidade.
- A Causa Real: As buchas das bandejas (balanças) são subdimensionadas e estouram com facilidade (às vezes a cada 10.000 km). O braço oscilante também costuma empenar.
- A Solução: Troca frequente das buchas. Muitos donos adaptam buchas de poliuretano (PU) para tentar aumentar a durabilidade, embora isso deixe o carro mais duro e transmita mais vibração para o painel (que já é barulhento).
3. Câmbio por Cabo (Engates Ruins) (O “Câmbio de Vareta” era melhor)
Diferente do Gol que usava varão, o Logus usava o sistema de cabos do Escort (câmbio MQ).
- O Sintoma: A alavanca fica “boba”, a 1ª marcha e a Ré arranham ou não entram, e a sensação de troca é “borrachuda”.
- A Causa Real: Os cabos de seleção esticam com o tempo e o trambulador plástico quebra ou gasta as buchas precocemente.
- A Solução: Kit de reparo do trambulador e regulagem dos cabos. Em casos crônicos, troca dos cabos de seleção (peça cada vez mais rara de achar com qualidade).
4. Carburador Eletrônico (2E / TLDE) (O Terror dos Mecânicos)
As versões CL e GL (antes de 1995/96) usavam carburadores controlados eletronicamente para passar nas leis de emissões.
- O Sintoma: Marcha lenta oscilando, carro morre em reduções, consumo altíssimo e dificuldade de pegar a quente.
- A Causa Real: É um sistema híbrido complexo e cheio de vácuos e sensores. A maioria dos mecânicos da época não sabia mexer e “isolava” as mangueiras, transformando o carburador em um Frankenstein.
- A Solução: Achar um especialista em carburadores (mosca branca) para restaurar o sistema ou, como muitos fazem, converter para um carburador mecânico simples (embora o carro polua mais). As versões injetadas (GLS/Wolfsburg) sofrem menos, mas a injeção FIC também é obsoleta.
5. Infiltração de Água (Porta-Malas e Bateria)
O Logus adora “beber água” por onde não deve.
- O Sintoma: Cheiro de mofo, carpete molhado e estepe nadando em água.
- A Causa Real:
- 1. Lanternas Traseiras: A vedação de espuma resseca e deixa a água entrar direto no porta-malas.
- 2. Bateria: A base da bateria na frente apodrece por ferrugem, deixando a água da chuva cair direto nos pés do passageiro ou na caixa de fusíveis.
- A Solução: Refazer a vedação das lanternas com silicone/cola de para-brisa e inspecionar a lata embaixo da bateria (muitas vezes exige funilaria).
Conclusão: Clássico ou Bomba?
O VW Logus é um carro de design ímpar e muito conforto.
- A Compra Segura: Logus Wolfsburg 2.0 (1996/97). Já tem injeção eletrônica multiponto (mais confiável) e motor AP forte.
- A Regra: Levante o carpete e olhe o túnel perto dos pedais. Se tiver solda ou trinca, fuja. É um defeito estrutural que condena o carro.






