Problemas Crônicos da Ford EcoSport (2012–2021)

Em 2012, a Ford revolucionou o mercado novamente ao transformar a EcoSport (2012–2021) em um projeto global. A segunda geração abandonou a plataforma quadrada e adotou linhas modernas, interior refinado e um pacote de tecnologia invejável para a época, liderando o segmento até a chegada massiva de Honda HR-V e Jeep Renegade.

No mercado de usados atual, a “EcoSport G2” é muito procurada pelo excelente custo-benefício. Ela teve várias fases de motorização: começou com os confiáveis 1.6 Sigma e 2.0 Duratec, e a partir de 2018 (no facelift) passou a usar o moderno 1.5 Dragon de três cilindros e o 2.0 Direct Flex. Mas, por trás desse sucesso de vendas, escondem-se dois dos maiores escândalos mecânicos da história recente da indústria automotiva no Brasil. Se você vai assinar o cheque, leia isso primeiro.


1. O Fantasma do Câmbio PowerShift (2013 a 2017)

Se você procura uma EcoSport automática fabricada entre o final de 2012 e 2017 (motores 1.6 e 2.0), você vai esbarrar na Transmissão Automatizada PowerShift de dupla embreagem a seco. Esse é o maior defeito crônico da história do carro.

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  • O Problema: Diferente dos câmbios banhados a óleo modernos (como o do Renault Boreal), o sistema a seco da Ford sofre com superaquecimento crônico no trânsito brasileiro. O retentor do eixo piloto frequentemente vaza óleo na embreagem, causando trepidações violentas nas arrancadas.
  • Módulo TCM: O módulo de controle da transmissão (TCM) queima com frequência, deixando o carro sem engatar a marcha à ré ou travando em marchas pares/ímpares.
  • A Fuga: O conserto completo de um PowerShift pode custar entre R$ 8.000,00 e R$ 12.000,00. A regra de ouro no mercado de usados é unânime: fuja das versões automáticas fabricadas antes do modelo 2018.

2. A “Bomba” do Motor 1.5 Dragon (Correia Banhada a Óleo)

Em 2018, a Ford realizou um facelift na EcoSport e aposentou o câmbio PowerShift (trocando por um excelente câmbio automático tradicional com conversor de torque de 6 marchas). Junto com isso, estreou o motor 1.5 Dragon (3 cilindros de 137 cv). Parecia a salvação, mas trouxe outro problema gravíssimo.

  • A Correia no Óleo: O motor 1.5 Dragon não usa corrente de comando, e sim uma correia dentada que trabalha mergulhada no óleo do motor.
  • O Desmanche: Se o antigo dono atrasou a troca de óleo, usou óleo fora da especificação da Ford ou abasteceu com combustível adulterado, essa correia de borracha começa a esfarelar. Os pedaços de borracha descem para o cárter e entopem o “pescador” da bomba de óleo.
  • A Consequência: Sem lubrificação, o motor funde em movimento. A troca preventiva dessa correia é caríssima e exige mão de obra altamente especializada. Comprar uma EcoSport 1.5 Dragon sem o histórico completo e rigoroso de trocas de óleo é roleta-russa.

3. O Peso da Tampa do Porta-Malas

O estepe pendurado na traseira sobreviveu na segunda geração, e o problema estrutural o acompanhou.

  • Fechadura e Ruídos: O peso contínuo do conjunto força o mecanismo da porta de abertura lateral. Com o tempo, a fechadura eletrônica começa a falhar (não destrava) e a porta começa a emitir um som incômodo de “grilo” ou metal batendo em ruas esburacadas devido ao desalinhamento das dobradiças.
  • Infiltração de Água: O desalinhamento da porta traseira costuma comprometer a borracha de vedação. É comum donos relatarem que, após chuvas fortes, a área do assoalho do porta-malas fica encharcada.

4. O Módulo de Som Sync (Bluetooth Morto)

Nas versões de 2013 a 2017, a Ford equipou o modelo com o sistema multimídia SYNC de 1ª geração (aquela telinha azul afundada no painel).

  • Módulo APIM: O módulo responsável pela conexão Bluetooth e pelo comando de voz tem uma vida útil tragicamente curta. Ele simplesmente para de funcionar, e o rádio fica restrito apenas a AM/FM e pendrive. A troca do módulo na concessionária é abusivamente cara, forçando a maioria dos donos a instalar centrais multimídia Android paralelas.

5. Suspensão Dianteira Sofre com o Peso

A EcoSport G2 engordou bastante em relação à primeira geração, chegando a pesar mais de 1.300 kg nas versões Titanium.

  • Buchas e Amortecedores: A suspensão, que tem origem em carros compactos (Fiesta), não aguenta o peso e a altura do SUV nas ruas esburacadas do Brasil. O desgaste prematuro das buchas da bandeja, bieletas e coxins dos amortecedores é muito comum. Ao testar o carro, esterce todo o volante e passe em lombadas ouvindo atentamente se há “pancadas secas” na dianteira.

Conclusão: Escolha o Ano a Dedo

  • Veredito: A segunda geração da Ford EcoSport (2012–2021) é um carro confortável, muito seguro (várias versões contam com 7 airbags) e com ótima dirigibilidade. No entanto, ela é um campo minado de problemas crônicos dependendo do ano e da versão que você escolher.
  • O Guia de Compra: * Para evitar dor de cabeça: Opte pelas versões manuais de 2013 a 2017 com motor 1.6 Sigma, que são super robustas.
  • Se faz questão de Automático: Compre apenas do ano 2018 em diante (com a nova frente e câmbio de 6 marchas). Se escolher o motor 2.0 Direct Flex de 170 cv, o sucesso é garantido (usa corrente de comando vitalícia). Se escolher o 1.5 Dragon, exija os comprovantes de troca de óleo rigorosamente em dia para evitar o pesadelo da correia esfarelada.
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