O smart Fortwo da primeira geração (W450), produzido de 1998 a 2007, é um marco do design urbano. Nascido da parceria entre a fabricante de relógios Swatch e a Mercedes-Benz, ele revolucionou a mobilidade nas grandes metrópoles.
Porém, comprar um modelo dessa geração hoje exige coragem e conhecimento mecânico. O projeto inovador trouxe soluções complexas e motores que, na prática, demonstraram ter uma vida útil muito menor do que o padrão do mercado.
1. Motores 0.6 e 0.7 Turbo (A Retífica Precoce)
A grande maioria dos W450 roda com os motores de 3 cilindros turbo a gasolina (599cc até 2002, e 698cc de 2003 em diante). Eles são ágeis, mas têm um defeito de projeto grave.
- O Consumo de Óleo: Os anéis de segmento dos pistões se desgastam prematuramente e o sistema de respiro do cárter falha. O motor começa a aspirar e queimar o próprio óleo junto com o combustível.
- Válvulas Queimadas: O acúmulo de carbonização resultante da queima de óleo derrete as válvulas de escape, fazendo o motor perder a compressão.
- A Realidade: É extremamente comum que esses motores precisem de uma retífica completa entre 60.000 km e 80.000 km. Se o carro estiver com 90.000 km e nunca foi aberto, a conta sobrará para você.
- Custo: Uma retífica bem feita neste pequeno motor passa facilmente dos R$ 6.000,00 a R$ 8.000,00.
2. Coletor e Turbina Trincados
O motor fica espremido na traseira do carro, operando em temperaturas altíssimas.
- O Defeito: O coletor de escape (que é integrado à carcaça quente da turbina) frequentemente sofre trincas devido à fadiga térmica.
- O Sintoma: Perda de potência, assobios anormais e vazamento de gases de escape. Em muitos casos, a única solução é trocar o conjunto completo do turbocompressor.
3. Câmbio Automatizado (As “Três Barras da Morte”)
O W450 utiliza um câmbio manual de 6 marchas, mas operado por robôs (automatizado monoembreagem). Ele é notório por ser muito lento e dar solavancos a cada troca.
- Atuador de Embreagem: O motor elétrico que empurra a embreagem desgasta, fica sujo ou perde a calibração. O carro começa a dar trancos fortes na saída ou se recusa a engatar marchas.
- O Erro no Painel: Quando o sistema entra em falha, o painel exibe três linhas horizontais (≡) no lugar da marcha. Isso imobiliza o veículo. Muitas vezes é necessário reprogramar o atuador com scanner específico da Mercedes (Star Diagnosis) ou substituir a peça.
4. Módulo SAM e Infiltração de Água
A partir de 2003, o smart passou a usar o módulo SAM (Signal Acquisition and Actuation Module), que atua como a central elétrica e caixa de fusíveis do carro.
- A Infiltração: As vedações do para-brisa ou das pequenas janelas de acrílico laterais ressecam e deixam a água da chuva entrar na cabine.
- O Curto-Circuito: A água escorre diretamente para o módulo SAM, que fica embaixo do painel, do lado do motorista. Os pinos oxidam e o carro enlouquece: faróis acendem sozinhos, limpadores não param, ou o carro simplesmente não dá partida. Reparar a placa do módulo ou trocar a unidade custa caro.
5. Suspensão: Molas Quebradas
A suspensão do smart W450 tem um curso mínimo, o que faz dele um carro muito duro. * Molas Dianteiras: Devido aos impactos secos, é comum que a espira inferior das molas dianteiras quebre. Ao comprar, é necessário erguer o carro e inspecionar os pratos dos amortecedores. * Pneus Diferentes: Vale lembrar que os pneus dianteiros são bem mais finos que os traseiros. Fazer o rodízio tradicional é impossível, o que acelera o custo com trocas de borracha.
Conclusão: Exija o Histórico de Manutenção
- Veredito: O smart Fortwo (1998-2007) é um clássico moderno e excelente para vagas impossíveis, mas sua mecânica não perdoa negligência.
- A Regra de Ouro: Jamais compre um W450 sem verificar o nível de óleo no momento da compra e sem um laudo de compressão dos cilindros. Dê preferência a unidades que já passaram por retífica preventiva no motor e tenham o histórico de trocas de óleo documentado.






