O Volkswagen Gol G2 é um ícone. Bonito, peças baratas e liquidez de cheque ao portador. Mas ele não tem a robustez de “tanque de guerra” do Gol Quadrado (G1).
Ao avaliar um G2, ignore a pintura brilhante e olhe para debaixo do carpete e para o cofre do motor.
1. A Trinca do Túnel (Estrutural) (O Defeito que Condena o Carro)
Este é o maior pesadelo do Gol G2 (e da Parati/Saveiro da mesma época). A plataforma AB9 tinha um ponto fraco na solda do túnel central.
- O Sintoma: Estalos metálicos ao arrancar ou passar em lombadas, dificuldade para engatar marchas (a carroceria torce e tira o câmbio de posição) e trincas visíveis na parede corta-fogo, perto dos pedais.
- A Causa Real: Erro de projeto na rigidez torcional. O monobloco não aguentava a torção em uso severo.
- A Solução: Solda com reforço estrutural (o famoso “bacalhau”).
- Dica de Compra: Olhe atrás dos pedais e por baixo do carro. Se tiver trinca ou solda mal feita, não compre. O carro nunca mais dará alinhamento perfeito e os para-brisas podem trincar sozinhos.
2. Motor AT 1.0 16V (O Vilão) (A Fama de “Bomba”)
Lançado para brigar com o Corsa, esse motor trouxe cabeçote de 16 válvulas para o povo, mas cobrou o preço.
- O Sintoma: O motor bate tucho, queima óleo e a correia dentada arrebenta antes da hora.
- A Causa Real: Deficiência de lubrificação no cabeçote. O motor exige óleo de altíssima qualidade e trocas rigorosas, o que o público da época (acostumado com fusca e AP) não fazia. Além disso, o desgaste nas polias fazia a correia pular dente.
- A Solução: Manutenção preventiva caríssima para um carro popular.
- Veredito: Para um carro usado de 25 anos, evite o 1.0 16V. Prefira o 1.0 8V (MI) ou os motores AP. A retífica de um 16V custa mais caro que o valor de mercado do carro.
3. Injeção “Monoponto” (CFI) (Os Primeiros Modelos 94-96)
Os primeiros Gol Bolinha (GTI e TSI à parte) usavam injeção de bico único (Single Point).
- O Sintoma: Marcha lenta oscilando, carro “gordo” (mistura rica), alto consumo e dificuldade de partida a quente.
- A Causa Real: O corpo de borboleta com bico único é impreciso e difícil de regular hoje em dia pela escassez de peças de qualidade (atuadores de marcha lenta).
- A Solução: Muitos donos convertem para carburador (um retrocesso) ou instalam o sistema “MI” (4 bicos) dos modelos 1997 em diante.
- Dica: Dê preferência aos modelos “Gol MI” (1997-1999), que já têm injeção multiponto eletrônica moderna e confiável.
4. Ferrugem na Bandeja da Bateria (O Assoalho Podre)
Um clássico da Volkswagen nos anos 80/90.
- O Sintoma: Infiltração de água no pé do passageiro e assoalho podre do lado direito.
- A Causa Real: A bateria fica alojada num compartimento que acumula folhas e água. Se a bateria vazar ácido, corrói o metal, abre um buraco e a água da chuva entra direto na cabine, apodrecendo o assoalho e a caixa de fusíveis.
- A Solução: Funilaria (troca da folha do assoalho e remendo na caixa de bateria).
5. Acabamento Interno (“Escola de Samba”) (Plásticos Frágeis)
O painel do Gol G2 (“satélite” ou o mais simples) é feito de um plástico cinza que resseca.
- O Sintoma: O painel racha no topo por causa do sol, os difusores de ar quebram na mão e as manivelas de vidro espanam. O barulho interno é constante.
- As Maçanetas: As maçanetas externas são gatilhos de plástico que quebram com facilidade no frio. Tenha sempre uma reserva no porta-luvas.
Bônus: O Lendário Motor AP
Nem tudo é problema. Se você encontrar um Gol G2 com motor AP 1.6 ou 1.8 (CL, GL ou MI): * Veredito: É um dos melhores conjuntos mecânicos do Brasil. O motor AP aguenta desaforo, peças custam centavos e qualquer mecânico arruma. Se a estrutura (túnel) estiver boa, o Gol AP é um excelente carro.
Conclusão: Qual Comprar?
- A Compra Racional: Volkswagen Gol 1.6 ou 1.8 MI (1997-1999). Tem motor AP, injeção 4 bicos e é muito robusto.
- A Cilada: Volkswagen Gol 1.0 16V. A menos que você saiba o histórico completo do motor.
- O Alerta Máximo: Leve o carro num elevador. Se tiver solda no túnel central, fuja.





